Diário de Leitura - Capítulos 5 e 6

Diário de leitura- Maus capítulos 5 e 6.


"Prisoner on the Hell planet", de Art Spilgerman. 
Na foto a esquerda, Anja e Artie, ainda pequeno.

O capítulo 5 se inicia com uma história em quadrinhos, escrita por Artie na juventude, que Mala encontra e o entrega: "Prisioneiro do Planeta Inferno". A história, de 2 páginas, mostra como ocorreu o suicídio de Anja, e também um pouco da sua relação com o filho - Artie era considerado "culpado" pelo suicídio, e ao mesmo tempo, depositava um pouco de culpa em sua mãe. Achei essa história bem pesada e chocante, até o estilo do desenho muda para um mais sombrio. Vladek encontrou a história e leu, ficando chateado, pois tinha muitas memórias de Anja. 


Vladek voltou a contar a história: após ele e Anja passarem pela seleção, no estádio, eles tiveram que se mudar de Sosnowiec para Srodula, para viver no gueto. Um parente da família, Persis, se ofereceu para abrigar as crianças da família em um lugar mais seguro, em outra cidade, e Richieu foi com ele. Em Srodula, guardas nazistas pegavam as crianças pela perna e as jogavam na parede para que parassem de gritar ou chorar: esse tipo de brutalidade desumana era comum durante a Segunda Guerra. Mal sabiam eles que aquela seria a última vez que veriam Richieu: quando soube da possibilidade de ser levada para Auschwitz, a mulher que tomatada conta das crianças matou-as antes de se suicidar. Essa cena, na minha opinião, é uma das mais chocantes do livro - as pessoas preferiam se matar do que serem mortas. 


Crianças polonesas em Campo de Concentração.


Para não serem capturados e mortos pelos alemães, os judeus, entre eles Vladek e sua família, precisavam se esconder em Bunkers; no teto, no chão ou atrás da parede. Mesmo escondida, a família de Vladek foi denunciada e capturada pele Gestapo. Após ser preso em um local onde as pessoas esperavam pra ir para Auschwitz, Vladek e Anja conseguiram escapar, após pagarem um pouco de ouro para que um primo os ajudasse. Os pais de Anja, entretanto, não conseguiram sair, pois eram muito velhos e não passariam pelos guardas.

Ilustração, feita por um fã (não é uma ilustração original do livro),
da cena em questão.
De volta ao gueto, Vladek começou a trabalhar em uma sapataria, consertando botas . Após um tempo, Miloch, um familiar, mostrou a ele um bunker que havia atrás de uma pilha de sapatos. Eles, então, planejaram se esconder no Bunker para fugir de uma possível ida a Auschwitz, já que o gueto estava sendo esvaziado. Quando o sobrinho dos Spiegelman se recusou a ficar no bunker, Anja desabou: ela dizia que não queria mais viver, queria morrer também, mas Vladek a convenceu de lutar pela vida. Essas cenas mostram que Anja não se suicidou por motivos superficiais, ela sempre teve um psicológico frágil e acabou ficando ainda mais abalada pelo decorrer da vida, devido as experiências e traumas pelos quais ela passou. 

Após alguns dias no bunker, a comida acabou, e começou-se a planejar uma fuga. Vladek não concordou em fugir, pois achou arriscado, e estava certo: aqueles que fugiram foram baleados pelos alemães. Alguns dias depois, o gueto estava vazio, e Vladek e Anja conseguiram se misturar aos poloneses e fugir. 

Venda de cigarros ilegais no mercado negro.
Eles foram abrigados na antiga casa do pai de Anja, já que o caseiro os conhecia. Tiveram que se esconder nogalpão, entre a palha, pois era fácil identificar Anja como judia. Para se alimentar e alimentar a esposa, Vladek comprava comida no mercado negro, e ia lá com frequência. Uma mulher polonesa que Vladek conheceu no mercado negro ofereceu sua casa para abrigar ele e Anja. Lá eles ficaram até serem expulsos pela própria mulher que os acolheu, após uma visita da Gestapo. Embora ela fosse boa e houvesse abrigado os dois em sua casa, ela devia sentir medo do que poderia acontecer se encontrassem dois judeus morando com ela. 

Após encontrarem abrigo novamente na casa do pai de Anja, Vladek decidiu que tentaria fugir para a Hungria. Após conversar com seu primo Miloch, ele decidiu que iria partir com Anja de trem para o país. Entretanto, o trem foi parado pela Gestapo e todos os judeus levados para Auschwitz.
Entrada de Aushwitz.


Curiosidades sobre os capítulos:

  • No capítulo 5, Vladek conta que as crianças judias eram espancadas pelos soldados nazistas para pararem de chorar. Durante o Holocausto, mais de 1,5 milhão de crianças foram mortas por nazistas (não somente crianças judias, mas também as ciganas e aquelas que viviam em instituições especializadas por ter algum tipo de deficiência física ou mental);

  • Nos campos de concentração muitas crianças eram usadas como cobaias para pesquisas “medicinais” de membros da SS(na maioria gêmeos). Isso resultou na morte lenta e dolorosa de varia crianças;

  •  Um bunker é definido como um refúgio subterrâneo feito para se esconder ou se proteger das ameaças de uma guerra, como bombardeios. Durante a invasão soviética em Berlim, a maiorias dos assessores de Hitler se abrigaram em um bunker, chamado FührerBunker. 
Planta do FührerBunker, o bunker de Hitler.

  •       “Gestapo” era o nome dado a polícia secreta da Alemanha nazista.       
  •     Aushwitz era originalmente um alojamento do exercito alemão, antes de se tornar um campo de concentração.


Texto: Mariana Carneiro
Reescrita: Luísa Nunes
Imagens: Lívia Borghi
Curiosidades: Giovana Hampl
Revisão e Postagem: Raissa Vilela 

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